A Região

O Vale do Café no Sul Fluminense abrange as cidades de Vassouras, Valença, Barra do Piraí, Rio das Flores, Miguel Pereira, Piraí, Paty do Alferes, Pinheiral, Mendes, Engº Paulo de Frontin, Barra Mansa, Volta Redonda e Paracambi. Toda a região teve grande importância no século XIX devido ao grão que lhe dá nome: o café.

Aprofundando a história…

Na década de 1860, o Vale do Café foi responsável pela produção de 75% do café consumido em todo o mundo, tornando o Brasil líder na produção e exportação do produto que após a queda da mineração, tornou-se o mais valioso commodity do país.

Entre as décadas de 1830 e 1850 o café viveu sua grande expansão e o Brasil possuía a maior parte da oferta do produto para o mundo todo, controlando os preços e decidindo de que forma iria atuar na economia internacional. Sua base de trabalho era a mão de obra escrava, vinda de diversos países da África. Existiam em tanta quantidade que compunham a maior parte da população regional, cerca de 2/3. O cultivo da planta, feito em grande escala, não levava em consideração a manutenção do solo, dando origem, à longo prazo, a uma terra fraca e sem nutrientes.

A partir das últimas décadas do século XIX a oferta do café começou a se tornar muito superior à demanda, havendo uma quebra na economia. Com a sanção da Lei Aurea, extinguindo a mão de obra escrava e o arrasamento das terras, que já não eram tão férteis, os fazendeiros ficaram endividados com os bancos, muitas fazendas foram hipotecadas e muitos deixaram a região. Assim terminou uma parte importante do ciclo do café no Brasil.

Fernando Portella sintetiza – de forma poética – neste texto abaixo a essência do Vale do Café. Uma região que vem se consolidando não só como destino turístico, mas, sobretudo, como reduto da nossa história viva.

“Nas noites no Vale do Café não se pode contar as estrelas (são tantas), apenas ouvir a orquestra dos sapos, dos grilos, dos bichos… – a sinfonia do silêncio. O galo arauto desperta o dia e a natureza se orvalha para receber os primeiros raios de sol. Começa assim o trabalho das formigas, das abelhas, das borboletas, o mugir do gado e o som das panelas na cozinha, forno a lenha, bule e o cheiro do café, que invade a casa e desperta as pessoas para mais um dia no campo. Ao degustar um café, aqui, acolá, cada gole nos reporta a uma época. Senhores, escravos, comerciantes, cidadãos de todos os cantos vieram para a região, parindo cidades a cada apito do trem. Muitas histórias, contos e lendas, sonhos acordados, fogueiras, subir nas árvores, cigarro de palha, “paixões apaixonadas”, família, rezas, canto na igreja – todos engomados para receber a benção na missa de domingo. – Corações ao alto! –Demos graças a Deus. O Vale do Café nos transporta para o passado. Hoje, muita coisa mudou, muita coisa se foi, mas ali permanece a essência de uma época que não morrerá nunca. Da bisavó para avó, para a mãe, para a filha e bisneta foram passados milhares de conselhos, de receitas de vida, de doces, quitutes, sabores preparados com o carinho dos olhos e o bater do coração. O que é o tempero senão a fórmula mágica, a alquimia que agrega originalidade e produz o prazer de exclamar: “hum! Que delícia!”. Goiabada no tacho de cobre, tutu com linguiça, geleia de jabuticaba, cachaça com mel, suspiro, doce de leite com queijo de Minas… Vamos para o nosso interior. Vamos para o Vale! Limpar a carga das grandes cidades debaixo da cachoeira gelada, estender a toalha quadriculada para o piquenique na beira do rio e olhar devagar para ele. Ele nos ensina a nos livrar das pedras que a vida coloca em nossos caminhos. Vamos para o Vale! É imperdível! Vamos nos encontrar conosco mesmo, com aquele menino perdido no adulto da alta tecnologia. Ali onde se pode, na chuva, dialogar com o cheiro do mato (…)

O turismo está mudando no mundo. Os viajantes não querem mais ser chamados de turistas, mas de visitantes. São milhares de pessoas, antenados na Internet, que desejam conhecer lugares nunca vistos em seus locais de origem, viver experiências inesquecíveis, conhecer novas culturas e se emocionar, trazendo de volta para casa coisas para lembrar para sempre. O Vale do Café é este cenário de possibilidades. (…)

 A produção de café atual pode não ter mais aquela pompa de outrora, mas a cultura enterrada viva hoje brota de forma definitiva dentro do crescimento da Economia Criativa no Vale do Café, que emprega milhares de pessoas. (…)

Este olhar sobre a região comprova que o Vale do Café cresce aceleradamente, através de seus empreendedores. Um caminho sem retorno.” – Fernando Portella – Trecho extraído do site Guia Cultural Vale do Café.

Anúncios