Conhecendo igrejas e capelas do Vale do Café

Sugestão de passeio percorrendo igrejas das cidades e capelas das fazendas históricas.

Algumas datando dos séculos XVIII e XIX, preservadas, restauradas ou recém-construídas nos moldes antigos, as capelas e igrejas do Vale do Café nos remetem a um tempo em que a religião era protagonista nos lares. Pode ser renovador visitar esses locais dedicados à fé, em que pode-se relaxar a mente e nutrir-se de boas energias.

CAPELAS nas FAZENDAS HISTÓRICAS

As fazendas históricas, que eram geralmente longe dos centros, costumavam ter suas próprias capelas, garantindo que o padre pudesse realizar missas quando estivesse no  local. Também era uma maneira de demonstrar devoção e pedir proteção divina.

Assim como cada fazenda possui sua própria personalidade, o mesmo ocorre com as capelas. Das mais simples às mais rebuscadas, todas tem seu charme, revelando as crenças e preferências de seus proprietários.

CAPELA DA FAZENDA UNIÃO

Uma das capelas mais inspiradoras da região fica na Fazenda União, que tem como padroeiro São José das Botas. A construção é de 2010, é bem mais recente que a sede, mas  respeita o padrão e estilo barroco das igrejas da época.

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Além do altar, que é original, trazido de uma antiga igreja de Minas Gerais, todo o restante foi obra do artista plástico da região, Jerônimo Magalhães. São dele o projeto, os afrescos e as pinturas que imitam mármore e madeira talhada. Uma perfeição! Outros elementos que chamam atenção são os vitrais coloridos e o teto, com imagens que recontam passagens da via sacra.

Após um dia intenso de passeios e descobertas na Fazenda União, a capelinha é um refúgio para agradecer e se conectar com sua fé. À noite, ela se ilumina, criando atmosfera bucólica das vilas do interior.

CAPELA DA FAZENDA DO PARAIZO

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A Capela é totalmente original, construída em 1845, mesmo período do casarão principal. Tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição, mas há dois santos maiores dispostos na capela, que são homônimos aos primeiros proprietários: São Domingos, que é o nome do Visconde do Rio Preto, e Nossa Senhora das Dores, em referência à Viscondessa, que se chamada Maria das Dores.

Nossa Senhora da Conceição recebeu uma pintura em sua homenagem no teto, pintada pelo artista espanhol José Maria Villaronga, uma raridade, que consta no livro “Tetos do Brasil”.

José Maria Villaronga também foi responsável pelos demais afrescos da capela, e também pelo piso de madeira da capela-mor, imitando grandes ladrilhos.Para celebrar o dia da padroeira, a família promove uma missa todo dia 8 de dezembro, com um grande almoço para amigos, funcionários e familiares.

A capela é consagrada, podendo realizar casamentos e batizados, com a devida autorização do Bispo. No fim do ano, ela vira cenário para belos concertos organizados pelos guias Rafael Fonseca e Adriano Novaes Novaes.

CAPELA DA FAZENDA SÃO LUIZ DA BOA SORTE

Localizada em Vassouras, foi construída aproximadamente em 1844, pelo antigo proprietário, Paulo Gomes Ribeiro de Avelar, o Barão de São Luiz. Foi erguida em homenagem a São Luis IX, rei da França.

Adquirida em 2007 pelo casal Liliana Rodriguez e Nestor Rocha, a capela foi encontrada arruinada, servindo como estábulo para vacas. Sua restauração foi a primeira providência tomada pelo casal, tendo como arquiteto responsável João Reis.

Após alguns meses de obra, ela foi reinaugurada em 23 de junho de 2007 com celebração e missa para a comunidade. Entre as imagens que fazem parte do acervo da capela, destaca-se a de Frei Galvão, em tamanho natural, que foi abençoada pelo Papa Bento XVI, quando este visitou São Paulo para canonização do Frei, hoje Santo Antonio de Sant’Anna Galvão. Frei Galvão foi o primeiro santo brasileiro.

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No teto da capela, há um painel pintado pela artista francesa Dominique Jardy, uma ciranda de anjos com guirlandas de flores e ramos de café, representando os 5 filhos dos atuais proprietários.A capela já foi palco para apresentações musicais da série Música no Museu, em apresentações do Festival Vale do Café e todo dia 25 de outubro é celebrada missa em homenagem ao Frei Galvão.

 

CAPELA DA FAZENDA ALLIANÇA

A Alliança é uma fazenda de 1863, que pertenceu ao 2º Barão do Rio Bonito, João Pereira Daguirre Faro. De família muito influente, o Barão foi um dos mais prósperos produtores de café da região, sendo um dos financiadores da Igreja de Sant’Anna, em Barra do Piraí, da qual falaremos a seguir, e um dos grandes incentivadores na escolha de Barra do Piraí como entroncamento da linha férrea da Estrada de Ferro Dom Pedro II.

Passando pela varanda, que dá de frente para o caminho das palmeiras imperais, adentramos na área comercial da casa sede da fazenda. Do lado direito está a porta que conduz à pequena capela, com abertura para um grande corredor, de onde o público assistia às missas.

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São originais o altar e a pia para água benta, além da imagem da virgem e do crucifixo banhado à ouro. Os dois últimos foram recentemente adquiridos, após descobrir-se que pertenciam à fazenda: voltaram ao seu lugar de origem.

A restauração feita no teto, afrescos e colorido do altar foram feitos pela artista plástica e arquiteta Maria Victoria Durini.

A cruz no frontão neoclássico do exterior do prédio, foi mantida após reformas, deixando clara a religiosidade dos antigos proprietários.

 

As Igrejas da Região 

As cidades, de maneira geral, cresceram ao redor das igrejas. Sendo assim, elas são uma excelente referência quando queremos conhecer melhor a história dos municípios e região. Percorreremos abaixo as igrejas dos municípios de Vassouras, Valença, Barra do Piraí e Rio das Flores.

CATEDRAL NOSSA SENHORA DA GLÓRIA - VALENÇA

Atrás da tranquila Praça XV de Novembro, mais conhecida como Jardim de Baixo, está uma linda construção de fachada renascentista; impossível de não ser vista por quem passa pelo centro de Valença: é a Catedral Nossa Senhora da Glória.

O prédio com detalhes amarelos e portas e janelas azuis, que hoje é tombado pelo Inepac, possui dezenas de peças religiosas, belos afrescos e um museu sacro. Além de ser a mais antiga construção de Valença, é marco da história de toda a região.

Vamos voltar só um pouquinho na história para compreender o período de sua construção. O território de Valença, no século XVIII, era coberto por floresta e habitada pelos índios Coroados, que dominavam a área localizada entre o Rio Paraíba do Sul e o Rio Preto. O hábito nômade das tribos gerava insegurança entre os proprietários das sesmarias- como foram separadas as terras aos colonizadores. Em 1803 foi construída a capela Nossa Senhora da Glória, que teve como intuito a catequização dos índios e realização de eventos religiosos. Nesta data foi rezada a primeira missa. Mais tarde, com a elevação de Valença à vila em 1823, foi iniciada a segunda reforma, que a transformaria em igreja.

Em 2004, o prédio pela primeira vez recebeu uma completa reforma, que contou com contribuição da comunidade e deu muito orgulho aos valencianos. A catedral, que já recebeu tantos fiéis, batizou e consagrou tantos matrimônios, é uma referência pela sua representatividade histórica, artística e religiosa.

Voltando as passado, ela ainda guarda uma homenagem aos mais antigos moradores: preserva uma cripta que contém réplica de urna funerária indígena com restos mortais daqueles que primeiro habitaram a região.

MATRIZ NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO - VASSOURAS

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Como sabemos, as igrejas eram geralmente eram as primeiras construções das vilas ou freguesias, marcando posteriormente o centro das cidades. Foi isso que aconteceu com a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Vassouras.

Durante o século XVIII, a Vila de Vassouras, até então chamada de Vila de Paty do Alferes, estava localizada em local estratégico para as tropas de mulas que vinham da região de Minas até a cidade do Rio de Janeiro, era o chamado Caminho Novo das Minas. Era na região em que os tropeiros em suas comitivas compostas por mulas carregando mercadorias, faziam parada para descanso dos trabalhadores e animais.

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Para se ter uma ideia de distância, para chegar do Rio à Vassouras pelo Caminho Novo eram necessárias aproximadamente 6 jornadas, ou seja, 6 dias.Outra curiosidade é que antes da construção da Igreja Nossa Senhora da Conceição, outras 3 foram construídas em diferentes locais, com intuito de sediar a vila. Os fazendeiros proprietários das terras, porém, não quiseram abrir mão das áreas.

Em 1828, tendo como um dos responsáveis o futuro Barão de Ayuruoca, Custódio Leite Ribeiro, foi iniciada a construção da Capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição, e em seu entorno a criação da futura Vila, que viria a ser criada em 1833. Anos depois, mas ainda no século XIX, a arquitetura atual da matriz foi concebida. Foi instalado gradil de ferro em torno na igreja, com traços do estilo neoclássico, e instalação de belo painel contorna a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Em seu interior, de nave única, também há quatro altares laterais, coro e batistério.

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Desde 1958 a área foi tombada pelo IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como conjunto paisagístico e urbanístico, o que garantiu que toda a área que vai da Praça Barão de Campo Belo, incluindo a Matriz, seu Chafariz Monumental e praças até o Cemitério Nossa Senhora da Conceição, incluindo as ruas marginais. Assim, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, faz parte de um conjunto arquitetônico vivo, que nos remete a uma viagem ao século XIX.

Sobressaindo-se construções com inspiração neoclássica e barroca, o conjunto também inclui a paisagem verde, formada por palmeiras imperiais, magnólias, figueiras e oitis, além dos belos chafarizes de abastecimento de água, todos originais.

IGREJA MATRIZ DE SANTA TERESA D’ÁVILA – RIO DAS FLORES

Inaugurada em 1887, a igreja é famosa por ter celebrado o batizado do Alberto Santos Dumont e sua irmã, Sofia, em 1877. Mas a história dessa igreja começou bem antes…

No século XIX, durante o apogeu da produção cafeeira, Rio das Flores fazia parte do município de Valença. Logo, a população começou a sentir falta de uma paróquia própria, já que a mais próxima era a alguns quilômetros dali, a Nossa Senhora da Glória, em Valença (já falamos dela por aqui). Por iniciativa do Visconde de Baependy teve-se autorização para construção da nova igreja, que foi inaugurada em 1858 com doações de toda a comunidade e auxílio do Barão de Rio das Flores e Visconde do Rio Preto – antigo proprietário do Hotel Fazenda União e da Fazenda do Paraízo.

Essa primeira igreja foi demolida em 1881. A nova igreja Matriz foi construída e inaugurada em 1887, com muita festa e queima de fogos. Em estilo neogótico, seguindo o padrão de igrejas do final do século XIX, recebeu materiais nobres vindos da Europa, como as telhas, de Marselha, grades e escada, de Portugal, lustres de velas de cristal da Boêmia, piso em tábuas em pinho de riga e em ladrilhos hidráulicos e janelas com arco em e vidros coloridos.

Durante carnaval em 1896, um incêndio destruiu a capela-mor, o que implicou na perda do altar e da primeira imagem de Santa Thereza. A reconstrução, que recebeu o aspecto que a igreja possui até hoje, foi finalizada em 1897, tendo paredes internas decoradas por painés dos artistas mineiros chamados “Os Capitéis”, e nova imagem da Santa padroeira vinda da Europa.

Em 1877, na Igreja Santa Teresa D’ávila, foi batizado o aviador Alberto Santos Dumont, que nasceu em Minas Gerais e cedo mudou-se com a família para Valença. Na pracinha em frente à igreja, muito provavelmente onde existiu a primeira construção, foi levantado busto em bronze em homenagem a ele. A pia batismal em mármore carrara em que ele e a irmã, Sofia, foram batizados, ainda está preservada na igreja.

Quem visitar a Igreja Matriz Theresa D’Avila também deve passar na Florart e levar lembrancinhas de lá, como os ímãs de geladeira em homenagem à Santos Dumont e outros itens inspirados nos prédios históricos da cidade.

CATEDRAL DE SANTANA – BARRA DO PIRAÍ

A história dessa igreja e da Fazenda Alliança Agroecológica estão fortemente relacionadas, já que o antigo proprietário da fazenda, o 3º Barão do Rio Bonito, de nome José Pereira do Faro, foi o maior patrocinador de sua construção, o que foi feito em 1881.

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O Barão foi o líder do movimento pela emancipação da freguesia, o que, porém só aconteceu em 1890. Influente, ele convidou o Imperador Pedro II para assistir o lançamento da pedra fundamental, que estava na freguesia para a inauguração do entroncamento ferroviário de Barra do Piraí.

Faro viajou várias vezes ao Rio de Janeiro para selecionar arquitetos, pintores e pedreiros estrangeiros para a construção da igreja, sendo toda ela pintada à mão. Até a metade da parede, há pinturas que lembram cortinas. Na parte de cima há pinturas sacras, e no teto, uma reprodução da imagem da Imaculada Conceição.

São originais o piso de tábua corrida e os bancos em formato de cadeiras e altar-mor, todo folheado a ouro, trazendo a imagem antiga de Sant’Ana. A catedral possui dois lustres de cristal em forma de pingente.

Em 1922 a igreja de Sant’Ana foi elevada a catedral e tombada pelo patrimônio histórico em 1983. É um dos melhores locais no centro da cidade para fugir da correria do dia-a-dia. A atmosfera de tranquilidade e paz permite um momento de reflexão que só faz bem.

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Publicado por Imbirema Comunicação

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